RFM Sem Olhar a Quem debate acessibilidade cultural

A mais recente edição do RFM Sem Olhar a Quem reuniu, durante 27 horas de emissão, artistas, agentes culturais, decisores públicos, organizações sociais e representantes da comunidade das Pessoas com Deficiência para debater a acessibilidade cultural. 30.09.2026

Promovida pela RFM e pela Fundação Ageas, a iniciativa assumiu este ano um novo enfoque: mostrar aquilo que de bom já está a acontecer em Portugal. Depois de três edições centradas na sensibilização para os desafios da acessibilidade, o objetivo passou por dar visibilidade às boas práticas, aos recursos e às soluções que estão a contribuir para tornar a cultura mais acessível a todos.

A principal conclusão desta edição foi clara: a cultura já está a mudar. Em museus, festivais, salas de espetáculo, eventos culturais e espaços públicos existem hoje cada vez mais exemplos de organizações que estão a investir em acessibilidade e a criar condições para que mais pessoas possam participar plenamente na vida cultural.

Ao longo da emissão, passaram pelo palco do RFM Sem Olhar a Quem muitos convidados que partilharam experiências, projetos e soluções concretas. Recursos como a Língua Gestual Portuguesa, a audiodescrição, os coletes de vibração, as salas de pausa, o Bilhete de

Acompanhante e novas ferramentas tecnológicas foram alguns dos temas em destaque.

Presença de vozes institucionais de referência

A edição deste ano contou com a participação de várias vozes institucionais de relevo, reforçando a capacidade da iniciativa para reunir diferentes setores em torno do tema da acessibilidade cultural.

Entre os convidados estiveram a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, a Secretária de Estado para a Inclusão e Ação Social, Clara Marques Mendes, o Vereador da Câmara Municipal de Lisboa, Diogo Moura, a Vice-Presidente do Mecanismo Nacional de Monitorização da Implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, Maria João Ruela, e Helena Ribeiro, Gestora do Projeto “Festivais Acessíveis” do Turismo de Portugal.

A presença destes responsáveis permitiu discutir o papel das políticas públicas, das autarquias, do turismo e das entidades de monitorização na promoção de uma cultura mais acessível, inclusiva e participada.
Entre os momentos mais relevantes da emissão, a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, destacou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido para promover uma maior acessibilidade nos equipamentos culturais portugueses e revelou que mais de mil acompanhantes de pessoas com deficiência já beneficiaram de bilhete gratuito no Centro Cultural de Belém e na Fundação de Serralves, ao abrigo das medidas recentemente implementadas.

Projetos e organizações que estão a fazer a diferença

A emissão deu igualmente espaço a organizações e projetos que estão a contribuir para transformar a acessibilidade numa realidade concreta.

Foi o caso da Dreamwaves, startup apoiada pela Fundação Ageas através de investimento de impacto, que apresentou a sua solução de navegação por áudio espacial para pessoas cegas ou com baixa visão. A iniciativa permitiu ainda a experimentação da tecnologia por convidados do evento.

Também o projeto VEM, apoiado pela Fundação Ageas através do programa de capacitação ÍMPARES, partilhou a sua experiência na promoção do acompanhamento humano de pessoas com deficiência, mobilidade condicionada, idade avançada ou em situação de isolamento, reforçando a importância de eliminar não apenas barreiras físicas, mas também sociais.

Um evento acessível na prática

Além das conversas e entrevistas, o evento voltou a disponibilizar diversos recursos de acessibilidade no recinto, procurando garantir que o próprio RFM Sem Olhar a Quem continua a refletir os princípios que promove. Interpretação em Língua Gestual Portuguesa, plataformas de mobilidade condicionada e coletes de vibração foram algumas das soluções presentes ao longo dos dois dias.

Continuar a fazer avançar a conversa

Para a Fundação Ageas, esta iniciativa continua a afirmar-se como uma plataforma importante para dar visibilidade a boas práticas, promover a mudança e estimular o compromisso de mais organizações com a acessibilidade cultural.

Porque, apesar dos progressos alcançados, continua a existir caminho por percorrer. E é precisamente através da partilha de exemplos, da colaboração entre diferentes entidades e da amplificação destas conversas que será possível construir uma cultura cada vez mais acessível, participada e aberta a todos.

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